Pular para o conteúdo principal

amigos.

Raramente nos vemos no agito de meio dia perdidos em um terminal. Nos abraçamos sempre da mesma forma estranha, eu com os braços por cima, encosto minha cabeça no ombro dela e ela abraça minha cintura.

Trocamos os fones para saber o que cada um está ouvindo, criticamos a música, mesmo tendo um gosto musical parecido. Rimos. Não ficamos com aquele “bla bla bla de saudade” e “por que não foi me visitar?”, não importa o tempo que passamos sem nos vermos continuamos a rir com a mesma intensidade e sinceridade.

Sentamos em um banco qualquer, ela me fala das gurias e dos caras, eu dou mais risada, falamos um pouco da minha agitada (sim, estou sendo irônico) vida amorosa, quais só me apaixono  por uma semana e já me distraio com uma bunda qualquer.

Ela ri, diz que me ama, eu dou mais risada. Com ela meu riso é mais feliz, e pouco me importa se estamos parecendo retardados em público, eu tinha a ela e ela tinha a mim, e tanto faz se era por uma vida ou apenas 15 minutos, nós eramos completos um com o outro.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Estação cruzada.

Pelo viajante solitário. Chovia. Era seis da manhã e por mais que eu quisesse continuar dormindo, a vida continuava. Eu acho uma sacanagem esse tal ser superior não ter feito alguma regra que só permitisse que chovessem em dias quais pudéssemos ficar semi-mortos em nossas camas fingindo que não existimos. Despertei meu parceiro de longa data e continuamos na estrada. Eu era solitário o bastante a ponto de meu melhor amigo ser movido à gasolina e transportar cargas. Mas confesso que escolhi a profissão por isso mesmo, a solidão. Acho que gosto dela. A solidão também é minha parceira de longa data. A chuva só aumentava, liguei o rádio e tocava Bob Dylan. Com Bob Dylan eu viajava. Figurativamente e literalmente. Quando eu viajava minha vida parecia ter ao menos um pouco de sentido. Tudo calmo demais, até que CARALHO, alguma desgraça verde tinha aparecido na porra da estrada. Meti o pé no freio e a mão no volante. Quase sai da estrada, mas consegui desviar daquele ser maluco de ca...

Jonas

Nós nos conhecemos quando eu tinha 16 anos e ele tinha 14. Nosso romance, se é assim que posso chamar, começou assim como começam todas as historias frustradas de amores no século 21, pelo Tinder.      Se o Tinder tiver alguma outra função além de desgraçar vidas, por favor, me contem, pois até hoje só me serviu para isso mesmo. Não que ele seja um retrocesso em minha vida, é que... bem, eu me apaixonei... E como todo mundo sabe, se apaixonar é a uma sensação deliciosa que pode ser comparada à um lento e dolorido chute nas bolas. Não, não  é que não tenha bons momentos... mas toda aquela insegurança de não saber se a pessoa sente o mesmo. A insegurança não saber se não vai ter algum empecilho no caminho que torne o relacionamento de vocês um drama digno de novela mexicana. O medo do beijo não ser bom. Ou o sexo ser uma droga. E se o sexo for uma droga? E não me venham com essa historia de que amor supera tudo. Todos sabemos que ele se esgota. E então, o que acontece?...

Gente simples que gosta de gente.

Ela não era aquele tipo de pessoa para qual alguém dedicaria uma música ou uma poesia descrevendo o quão incrível era sua beleza ou suas curvas, talvez quão belo era sua felicidade . Não que fosse feia, ela tinha uma beleza normal, uma beleza normal está ótimo para descreve-la. Eu sempre há encontrava no ônibus ao meio dia, creio eu que era empregada doméstica pelas conversas que ouvi, sim, sei que é muito feio ouvir a conversa dos outros, mas ela contava coisas simples com uma empogação que se tornava impossível não se reparar. Mas de qualquer forma, a profissão não vem ao caso.  Ela sorria para todos, tudo, não havia algum dia que ela não tinha alguém para conversar, que fosse o cobrador ou a velinha voltando pra casa reclamando dos filhos . Eu ficava ouvindo suas conversas sobre o trabalho, porém eu ficava admirado, não reclamava, apenas ria dos fatos da vida, e eu discretamente ria junto. Lhe admirava por sempre despertar atenção de todos sem precisar criticar alguém...